Amenorréia? Atletas não menstruam?

Amenorréia? Muitas atletas não menstruam e este tema ainda é um tabu no mundo do desporto. São vários os fatores que levam às atletas a não menstruarem. Pressão psicológica, percentual de gordura corporal, estresse por conta dos treinos e competições, prática excessiva de esporte, entre outros.

Esses fatores mencionados em conjunto podem levar às atletas a terem amenorréia, ou seja, deixarem de menstruar. Elas ainda poderão ter oligomenorréia, um quadro em que a mulher apresenta menstruação escassa. No sentido oposto, poderão também sofrer de menorragia, um fluxo menstrual intenso.  Podem ainda apresentar casos de osteoporose.



Contudo, há atletas que não menstruam por conta de outros fatores. Elas são induzidas a não menstruarem. Um caso que tornou-se conhecido foi o da corredora Jessica Judd. Em 2013, na época com apenas 18 anos, ela foi levada a não menstruar no período de competições do Campeonato Mundial de Atletismo de Moscou.

A delegação de médicos britânicos receitou-lhe noretisterona, um tipo de hormônio conhecido por parar a menstruação. Porém, os efeitos da noretisterona podem ser contrários. Foi o que aconteceu com a atleta, que nem acabou sequer classificada para as semi-finais.

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Atleta Jessica Judd em Moscou (© Echo News)

Ainda há poucos estudos nesta área para saberem ao certo o quanto a menstruação influencia negativamente a vida das atletas e o fato da maior parte dos médicos serem homens (e por vezes não serem sensíveis ao tema) não ajuda para que compreendam o quanto o ciclo menstrual afeta às mulheres, especificamente as atletas.

Apesar disso, atletas já participaram de alguns estudos e também declaram publicamente sua relação com a menstruação. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, a nadadora chinesa Fu Yuanhui, conhecida por suas caretas engraçadas nas entrevistas, teve um mau desemprenho em uma das provas. Em entrevista com expressões de dor, ela pediu desculpas e disse que havia menstruado na noite anterior.

No Reino Unido, um estudo feito pela ‘Female Athlete Health Group, grupo de pesquisa da UCL (University College London) e da St Mary’s University, revelou que mais de 50% das atletas declararam que o seu ciclo menstrual afeta seu desempenho e rendimento.

Se há atletas que não menstruam, o estudo revelou que pelo menos 37% das atletas pesquisadas sofrem de menorragia, um fluxo intenso de sangue na menstruaçãoNa Maratona de Londres de 2015, mais de 1000 as corredoras também foram avaliadas pelos pesquisadores e 36% delas declararam sofrer de menstruação excessiva, e mais de um terço delas afirmou que o seu período menstrual afetou seu desempenho.

Em resposta a essa pressão, a atleta Kiran Gandhi decidiu correr sem nenhum tipo de tampões ou absorventes por não concordar com este estigma de vergonha da menstruação.

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Kiran Gandhi na Maratona de Londres em 2015 (© Independent)

“Correr 26,2 milhas com um chumaço de algodão preso entre as minhas pernas parecia tão absurdo.” – disse Kiran

Ainda segundo os pesquisadores, apenas 22% da atletas que sofrem de menstruação excessiva buscam ajuda e continuam a sofrer em silêncio. Sabendo-se que a menstruação afeta a vida das mulheres de forma física, emocional e socialmente, a Unifesp (Brasil) tem uma área para os atletas paraolímpicos dedicada à Ginecologia, que ajuda a regular o ciclo menstrual das competidoras, além de evitarem desconfortos físicos e transtornos emocionais.

A menstruação ainda é um tabu no mundo do desporto e na sociedade. Estudos nesta área certamente ajudarão a percebermos melhor o quanto a menstruação afeta a vida das mulheres e de todos as atletas e o quanto ela é um processo normal no corpo feminino e pode ser falado amplamente sem nenhum tipo de vergonha.

Fonte/Fonte das Imagens: Telegraph, Independent, Unifesp, El País, Shangai Expat Youtube, Echo News




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